terça-feira, 13 de novembro de 2012

De crias a leões

Outro dia disseram-me que um dos grandes aspectos que a formação do Sporting precisa de trabalhar é o amor ao clube acima de tudo o resto - formamos grandes jogadores mas depois não os conseguimos segurar. Ao ter visto esta notícia lembrei-me disto com algum pesar, e é pesar porque perante condições destas dificilmente este nosso miúdo ficará.

Como trabalhar o amor ao clube nas camadas jovens? Pelo exemplo antes demais. Um clube com uma direcção incapaz e motivo de chacota constante em tudo quando é comunicação social não motiva nenhum rapaz jovem e impressionável a ficar. Ter figuras idóneas e exemplos de sportinguismo como presenças constantes ao longo da formação destes jogadores teria certamente um impacto forte.

Da mesma forma que um projecto claro de formação académica e futebolística, assim como uma moldura de enquadramento das famílias na vida do clube poderia "contaminar" o ambiente familiar do jogador com sportinguismo.

Sinceramente, não sei quais os métodos actuais da Academia e do Sporting para manter as nossas pérolas. Efectivamente é difícil combater contra os milhões dos clubes ricos, não temos o dinheiro para isso. Por outro lado sempre aprendi que quem não tem cão caça com gato, pelo que se não temos o dinheiro ganhemos-lhe o coração, a ele e à família (muitos destes rapazes não têm sequer idade para se deslumbrarem com os milhões, quem o faz são as famílias que muitas vezes acabam por boicotar o futuro do filho por ganância).

Mas mais importante que isto é conseguirmos garantir de alguma forma um futuro risonho para o rapaz. Como o fazer? Um esquema de integração contínua e progressiva no futebol senior (começando obviamente pela equipa B), uma garantia de presenças numa percentagem de jogos da equipa A, e convenhamos que não seria um risco assim tão brutal porque à partida se são jogadores a manter é porque sao bons.

Não pretendo ter o segredo para segurar as nossas jovens estrelas, no entanto ler esta noticia deu-me para divagar. Se fomentar uma discussao salutar já cumpri o meu objectivo.

SL

2 comentários:

MaximinoMartins disse...

A ideia era óptima em todos os sentidos, só que há um problemazito pelo meio...

Para muitos destes miudos, sonham os próprios pais em primeiro lugar...
Que eles se transformem em Messi's e Ronaldo's, não para serem só grandes jogadores e singrarem de Leão ao peito...
Mas para conseguirem um contrato milionário que permita manter toda a família a "comer" do rendimento futuro...

Com estas realidades...como criar o amor ao Sporting se numa primeira passagem a profissional do clube poderão ganhar no máximo 5000 euros...enquanto um empresário qualquer lhes acena com ordenados milionários noutras latitudes...??

Não será fáci,l não...!

Manuel disse...

Dai ter falado em enquadrar a família de alguma forma na vida do clube.

Irei provavelmente divagar um pouco, mas se calhar pode haver algum sentido nisto: pensemos no Sporting em si como uma grande família; um jogador a partir do momento em que é considerado um valor a segurar por parte do clube começa a ter uma valorização especial e o seu agregado familiar começa a ser considerado como parte integrante do jogador.

Suponhamos uma mãe, um pai e um irmão ou irmã: caso sejam indivíduos com valências profissionais, poderão ser aproveitados de alguma forma na estrutura do clube? E não sendo, não seria ainda mais aliciante o Sporting conseguir dar alguma garantia profissional aos familiares? Há muito trabalho para fazer na academia e no estadio, em vez de fazer outsourcing não poderiam estas pessoas ser consideradas como funcionárias do SCP e desta forma enquadrar-se toda a família na estrutura do clube?