quinta-feira, 24 de maio de 2012

9 anos de Polga. Fim.

Ânderson Polga está de saída do Sporting, é oficial. Desportivamente, acho uma excelente notícia. Actualmente com 33 anos, um dos maiores ordenados do plantel, e com um desempenho dentro de campo medíocre, chegou a altura de dar o lugar a outro.

Polga chegou ao Sporting em 2003, proveniente do Grémio de Porto Alegre (o único outro clube onde jogou), com o rótulo de campeão do mundo, conquistado em 2002, em solo asiático.

No Sporting esteve 9 épocas completas, tendo chegado a capitão de equipa. Fez 341 jogos oficiais, onde ganhou 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças. Perdeu 1 final da Taça UEFA, 1 final da Taça de Portugal, 2 Taças da Liga. Nunca conseguiu ser campeão. E não conseguiu marcar um único golo (na baliza adversária) para o campeonato…

Chegou a efectuar algumas épocas de altíssimo nível, mas nos últimos anos, globalmente, tem estado sofrível. Foi muitas vezes alvo da ira dos adeptos, e culpabilizado pelos insucessos da equipa. Parece-me exagerado, até porque a opção/insistência de o colocar em campo foi sempre de outrem. E foram muitos os treinadores (8) que nele apostaram.

Mas gostaria de recordar Polga pelo excelente profissional que foi. Em 9 épocas não me recordo de um caso de indisciplina (pelo menos significante): nem de faltar a um treino, ou de agir ou proferiu palavras menos correctas para com o Clube. Os seus voos de regresso do Brasil não atrasavam 1 semana como acontece com frequência pela altura do Natal. Quando ficava no banco, o seu empresário não vinha a lume mandar recadinhos pelo twitter. Quanto a isso, um exemplo.

Obrigado Polga por uma carreira dedicada ao nosso Clube. Mas chegou a altura de dares o lugar a alguém mais novo, com mais frescura, mais ambição, e que ganhe títulos, e, já agora, que marque golos de vez em quando. Para onde quer que vás, boa sorte!

7 comentários:

MRL disse...

Como homem e como profissional foi exemplar. Além disso sai do nosso clube sendo sportinguista. Espero que possa voltar ao nosso convivio como adepto. Será bem vindo.

Como jogador uma pequena nota: teve sem dúvida altos e baixos, mas queria salientar que raramente teve um treinador que pegasse nele e melhorasse as suas caracteristicas menos boas. Não tivemos um único treinador que desenvolvesse o potencial que eu considero que ele tinha. Tem sido um dos problemas do SCP nos últimos anos.

kevs disse...

Sim. Em vez disso apostaram em qualidades que ele não tinha, como os passes longos, jogo aéreo nos cantos, e mais recentemente, marcação de livres directos :)

Manuel disse...

Vinha mesmo agora deixar um post sobre este senhor aqui no Rugido :)

Aproveito então este espaço de comentários para dizer que: sinceramente, sempre gostei dele. Era um central limitado, mas que sempre me pareceu ciente das suas limitações e que, de uma ou de outra forma, sempre soube abordar as jogadas de forma a "fugir" às suas limitações.
Sempre achei que ele sabia antecipar as jogadas quando via que não seria suficientemente rápido, e no desarme sempre foi dos centrais mais limpos e eficazes que já vi no nosso futebol.

Acho que foi mais um caso do que vejo ser recorrente no nosso Sporting que é "arranjar um bode expiatório já que a direcção nunca o pode ser". Era um jogador brilhante? Não. Comprometeu alguns jogos? Sim, mas sendo central é normal que quando falhe acabe por comprometer. Comparando-o com outros centrais dos grandes dos últimos tempos, não me parece que haja algum que tenha saído impune. Muito menos ao fim de tantos anos ligado ao clube.

Como homem subscrevo totalmente. Um exemplo de postura dentro e fora de campo. Muito poucas vezes penalizado no capítulo disciplinar, sempre passou ao lado de escândalos e de situações menos próprias.
Espero que tenha deixado pelo menos essa mensagem aos colegas que cá ficam. Sejam leões dentro e fora de campo. O resto virá por acréscimo.

Manuel disse...

Queria apenas acrescentar que, para além disto tudo, este senhor desafiou claramente as leis da probabilidade: se virmos a quantidade de vezes que rematou a balizas adversárias, os cruzamentos em bolas paradas que lhe foram dirigidos e ultimamente os livres directos, é probabilisticamente impossível que tenha marcado zero golos no campeonato.
Por isso merece a nossa admiração :D

Anónimo disse...

Recusou-se a entrar em campo no Sporting-Nacional da última jornada da liga 2004/05, depois de dias antes ter ficado no banco na final da UEFA. A memória é curta.

kevs disse...

Caro Anónimo, José Peseiro era treinador na altura e justificou a ausência de Polga nesse jogo da seguinte forma: “O Polga não se sentia bem e pediu-me para não jogar. Disse-me que não se sentia motivado para este jogo”.

Se você me disser que o motivo para pedir para não jogar não é válida, aceito. Se me diz que se recusou a jogar (quando o treinador diz que acedeu a um pedido do jogador), o problema de memória não é meu.

Saudações leoninas,
kevs

Anónimo disse...

Sim, porque os dirigentes e treinadores nunca arranjam justificações desse tipo como eufemismos para situações bem mais graves...

Também tivemos aquele episódio exemplar em que chegou uma semana atrasado depois do Natal porque a empregada não tinha lugar no voo, não é preciso grande memória porque as notícias de jornais são mais que muitas.