segunda-feira, 30 de março de 2009

O fechar da equação

A minha visão do VIII Congresso Leonino:

- Antes de tudo realçar o fantástico trabalho da organização (Ernesto da Silva Ferreira, Rogério Alves, moderadores e relatores das secções e todas as pessoas que ajudaram na logística do evento). Conseguiu por em prática um processo que espero que venha a tornar-se parte da vida do clube.

- Participei na secção de Sustentabilidade Financeira (na minha opinião a mais relevante, comprovada pela presença quase a 100% do presidente do CD) tendo confirmado aquilo muito do que já suspeitava. Resumidamente as principais conclusões são:

1. A apresentação efectuada pelo membro do CD Filipe Nobre Guedes evidenciou que o plano de reestruturação financeira é urgente e indispensável. E porquê? Porque as contas do grupo SCP são de tal forma assustadoras que não existe outra via senão o aumento do capital. Mérito seja dado ao desempenho evidenciado nas contas da SAD nos últimos 3 anos. Mas as contas das restantes empresas que consolidam e formam o grupo SCP (que ninguém tem acesso por não serem públicas) deverão ser no mínimo, assustadoras.

2. Esse aumento de capital, pela forma da subscrição dos famosos VMOC's, fará com que em 2013 o SCP veja reduzida a sua participação na SAD. Haviam 3 recomendações (as mais discutidas): uma em que o CD deveria encontrar parceiros credíveis (!) de forma a alienar parte da participação na SAD; uma em que o SCP deveria alienar a participação até um mínimo de 51%; e por fim, uma outra em que o SCP deveria manter a participação na SAD, pondo em causa o plano dos VMOC's. O CD, segundo percebi, preparou uma proposta que deveria ser apresentada em AG, onde o SCP manteria a maioria. Venceu a 1ª que mais tarde veio a ser aprovada em plenário com 28% de votos contra.

3. Percebeu-se claramente, que para os apoiantes de FSF a maioria de 51% nem sequer será necessária. O importante é entrar capital porque o controlo da SAD nunca fugirá do clube (mesmo que detenha apenas os mínimos exigidos na lei - 15%). E foi essa a imagem forte daquela secção.

- Se de facto esperava que este congresso definisse as linhas de orientação para o futuro, posso dizer que de facto isso aconteceu. Directa ou indirectamente, o futuro do SCP passa por deter APENAS uma participação não maioritária da SAD. Tudo o que decorra das restantes recomendações, não passarão de meras impossibilidades porque os restantes accionistas não irão certamente deixar que se invistam os seus resultados noutras modalidades, num pavilhão ou em beneficios para os sócios.

- E o que me assusta neste cenário (ninguém o referiu com excepção para o João Mineiro, que considero ser um grande sportinguista) é que na altura em que os VMOCs forem convertidos em participação da SAD, veremos a SAD ser invadida por novos detentores de capital. Quem virá investir na SAD, já mais atraente por causa da Academia e dos respectivos terrenos de Alcochete? Actualmente, olhando para o quadro de actuais accionistas, quem se destaca é a Sportinveste de Joaquim de Oliveira. Curioso no mínimo. É que esse accionista mereceu algus rápidos mas fortes comentários por parte dos participantes da secção (dos apoiantes de FSF). Adivinham se foram positivas ou negativas? É verdadeiramente inacreditável!

- Para terminar uma crítica à organização, apesar de no geral, avaliar todo o seu desempenho como muito positivo: considero uma grande hipócrisia a passagem do vídeo (ainda por cima duas vezes) sobre o clube. Imagens do Joaquim Agostinho, Carlos Lopes, Fernando Mamede, das vitórias do andebol e do futsal, pertencem a um passado que este CD gosta de utilizar com referência mas cujas medidas que defende irão certamente impedir que se repita.

11 comentários:

JG disse...

Brilhante post, caríssimo!

Nuno Santos disse...

É uma pena não termos mais sócios do lado do referido João Mineiro. É uma vergonha o que esta direcção quer fazer (ou desfazer) ao clube e foi uma vergonha a situação que foi montada no COngresso em que o João Mineiro ficou sozinho contra uma suposta cambada de "pessoas sérias e inteligentes".

Pena que os sócios do SCP já tenham perdido a paciência e já se tenham desligado do clube...pois assim dão a margem que a Hidra precisava para fazerem do clube o que queresm e bem lhes apetece (ou o que o BES manda).

Vergonhosas as formas de estar de FSF, Dias Ferreira, Rui Oliveira e Costa, Paulo Abreu, Nobre Guedes, Afra, etc etc etc...está tudo completamente vendido e entregue aos bichos!!!

Anónimo disse...

O relato do Congresso é bastante esclarecedor, embora deixe muita matéria nas entre linhas que para a grande maioria dos sócios é indecifravel.
Fazer oposição não é criticar é apresentar soluções para os problemas...
Assim, desafio o Rugido Leonino a apresentar concretamente a vossa solução para a resolução desta dificil equação com várias incógnitas.
Depois, vamos a elas...

Leão de Alvalade disse...

Caro MRL:
Estendo os meus parabéns, já endereçados ao JG, pela participação neste histórico evento. Se quiser perder o seu tempo a ver o Congresso pelos olhos de quem lá não esteve, poderá ler as minhas considerações no meu blogue. Porque hoje tenho mais tempo e o seu post é pertinente, comento-o de seguida, pedindo desculpa ao JG por não ter ido tão longe nos comentários que fiz ontem. A leitura das novidades e a reacção às mesmas lá no blogue foram os causadores da análise sucinta.

1- É difícil de perceber porque se tem privilegiado o sigilo para lá do que ele é estritamente necessário. Sendo o segredo a alma de qualquer negócio, não é possível defendê-lo “ad eternum”. Esta estratégia presta um grande favor a qualquer tipo de especulação. Esperemos que a realidade seja em número de dígitos bem inferior aos vaticínios pessimistas.

2- Não tenho ainda opinião formada sobre as VMOCS por falta de informação relevante. Em teoria não me oponho à posição minoritária da SAD, para valores, p. ex., próximos dos 40%. Mas duvido que seja atractivo para alguém ou alguma sociedade investir grandes somas sem controlo. Só uma parceria improvável viabilizaria qualquer operação do género. A possibilidade de um magnata dominar o capital da SAD é um pesadelo para qualquer sportinguista, a menos que ele fosse um de nós. Em Portugal não se vislumbra e contos de fadas já não são para mim.

3- Não sou apoiante de FSF mas como se viu acima incluo-me nos que, em teoria, não se oporiam. Dentro deste leque estão muitos sportinguistas que, acima de tudo, temem pelo futuro, e entre o vazio aparente e um discurso aparentemente coerente, preferem o primeiro. Temos que contar também com a tão lusitana reverência pelo poder. São muitos séculos de falta de cultura reivindicativa face aos detentores da cadeira e Sporting também sofre disso. Não surpreende que grande parte dos detentores do maior número de votos aí esteja concentrado.

4- Ao invés de temer novos accionistas eu temo que, uma vez tomada segura por um sindicato bancário, vejamos aumentar a participação do BES e BCP, com grande incómodo para eles. Isto é, não creio que haja, neste momento, capitalistas interessados nesta operação, para lá dos sportinguistas. Hoje estamos a falar num mundo diferente do que existia na Primavera de 2008, quando isto foi pela 1ª vez trazido à colação.

Leão de Alvalade disse...

5- Os terrenos em Alcochete são uma miragem sem alteração do PDM em vigor. A sua utilização está vedada a outra actividade que não a actual. Bem sei, bem sei, estamos em Portugal, onde porcos andam de bicicleta.
SL

JG disse...

LdA,


penso que a grande força deste Poder é de facto a falta de alternativa que as pessoas possam ver como credivel! Aparecesse esta e o Poder esvaziaria como um balão!

Registo ainda a enorme fificuldade que esse proprio poder está a ter para conseguir encontrar alguém disponivel para avançar! Significativo!

Quanto às VMOCs deixo aqui a minha opinião sentimental e racional! Ambas me levam a rejeitar qualquier posição minoritária na SAD, mesmo que por motivos diferentes!

Emocionalmente, será para mim como espetarem-me uma faca no coração se o Sporting Clube de Portugal algum dia for minoritário no seu futebol. Espero que nunca aconteça...

Racionalmente, é para mim dificil encontrar explicação para justificar a entrega do capital da SAD a terceiros. Este negócio, como negócio é tudo menos apetecivel. A não ser que esteja integrado numa estratégia global que ultrapasse o Sporting. Faz-me lembrar a venda da TAP. Interessará a quem? Bom, à Lufthansa, á Iberia, à BA, à AF,...Nunca a quem queira ganhar dinheiro com a TAP isolada.

A venda do capital na SAD no SCP tranformará o Sporting num belo actor de Wrestling. Que se calhar até já é...Isso explicaria algumas presenças em camarores presidenciais...E explicaria também as opiniões dos nossos amigos no poder no Sporting sobre a Olivedesportos...

JG disse...

Caro anónimo, identifique-se e depois poderemos falar.

De qualquer modo, o Rugido pretende apenas ser um espaço de debate que obviamente pretende também ajudar a encontrar os melhores caminhos para o Sporting! Com a ajuda de todos os que nos visitam e aqui deixam a sua opinião!

MRL disse...

Amigo JG, vais-me desculpa mas vou responder ao Anónimo. Se depois tiver a coragem de se identificar melhor.

Fazer oposição não é criticar? Discordo. Eu crítico e explico porquê. Eu não defendo esta estratégia e defendo o porquê. E quem acompanha este blog desde o seu início conhece bem quais as linhas da estratégia que defendemos (maioria da SAD no clube, aposta no ecletismo, maior preocupação pelo sócio, etc.)

No entanto, fica sempre muito difícil apresentar soluções para um problema para o qual não é permitido conhecer a fundo (contas de grupo não são públicas).

E mais ainda. Aqueles que com muita coragem arriscam apresentar soluções, mesmo sem ter acesso às contas do clube, são imediatemente gozados, descriminados e até insultados. Sabe por quem ou não esteve em Santarém para ver?

João Pedro Silva disse...

Amigos:

Abrimos hoje a discussão sobre a já chamada "Recomendação da Polémica" aqui.

Convido-os a virem deixar a vossa opinião.

Leão de Alvalade disse...

Caro JG:

1- Este poder, como qualquer outro, tem a vantagem de estar instalado e por isso dominar a máquina (veja-se a Juve Leo, p.ex.) e também os dossiers. É normal que quem o desafia tenha o trabalho dificultado. Daí ter que haver o maior cuidado na forma como comunica. Convenhamos também que governar uma nau como a nossa não é para qualquer um. Um dos maiores problemas de quem tem dado a cara tem sido aceitar a pressão de ter que se constituir como alternativa ao poder, tarefa para a qual até podem nem estar disponíveis ou vocacionados. Para mim gente como os que compõem o LdV ou a AAS têm o indiscutível mérito de lutar por corrigir e alertar o que lhes parece errado. Mesmo que venha a não concordar com eles, tributar-lhes-ei enorme apreço porque fazem aquilo que muitos Sportinguistas já desistiram: lutam por aquilo que acreditam e gente assim é capital que o nosso clube não pode desperdiçar.

Quanto ao capital da SAD não me repugna a minoria desde que se tenha o controlo e julgo que isso sossegaria os Sportinguistas. E isso é possível. A ideia de um milionário paquistanês (ex. aliatório, sem qq cariz xenófobo) controlar a SAD é um pesadelo que nenhum de nós deseja ver realizado. Ou, pior, ver a SAD ser uma empresa da Holding Olivedesportos, p.ex. (este 2º exemplo pode ser mais realizável...)

JG disse...

Caro LdA,

De facto, o poder é lixado. Seja no desporto, na politica ou até numa mera associação de estudantes. A idade vai-nos mostrando isso! Durante o congresso tive oportunidade de falar com uma das pessoas que se confundem com esta Direcção e em 5 minutos de conversa ficou claro que não há má fé nem maus instintos...pareceu-me até uma pessoa honesta...há apenas e só o deslumbre de estar perto das luzes (não vou explicar aqui o que são as luzes neste caso...vou deixar à imaginação de cada um)!

Quanto à maioria/ minoria na SAD, ficou claro neste Congresso que se pretende dar o controlo aos accionistas. A propria recomendação aprovada (de Dias Ferreira, mas...alguém acredita que foi ele sozinho que a levou ali?) pretende a venda do máximo de acções legalmente possivel (na pratica, isso reduziria o Sporting a 15% de participação no capital social)!