sexta-feira, 11 de março de 2011

Onde gastar?

Bom dia a todos os leitores deste mui nobre blog!

Para quem não me conhece, eu sou um Sportinguista purista, na medida em que visto o verde da esperança até à última e sou um incurável optimista. E assim começo este meu primeiro post.

Gostava de contribuir para a chuva de opiniões sobre as eleições no Sporting, as várias listas e as soluções que apresentam para o meu clube, todas as silver bullets que cada os candidatos trazem para a mesa e até perguntar aquilo que, tanto quanto sei, ainda ninguém perguntou: se cada um de vós tem pelo menos 50 milhões para dar ao Sporting "por amor ao clube", porque é que nenhum de vós se chegou à frente com esse dinheiro até agora? Se calhar no vosso entender, o amor ao clube apenas faz sentido quando ganha eleições. No meu entender não.

No entanto, e sem querer aborrecer os mais impacientes, não é sobre nada disto que quero falar. Quero falar sobre o que mais percebo no meio disto tudo. Futebol.
Li num blog de Apoio ao Sporting (não quero revelar nomes óbvios :) ) uma dissertação sobre o plantel profissional, como poderia este ser rentabilizado e como se poderiam transformar jogadores obsoletos ou de capacidade insuficiente para o Sporting em fundos para novos reforços. Concordei em grande parte, principalmente com o foco num grande treinador em detrimento de enormes jogadores, mas eis a minha análise.

Grande parte da nação sportinguista culpa um plantel medíocre pelos resultados e exige uma gigante política de contratações para ontem. No meu entender isso não só é errado como é branquear o potencial dos jogadores que temos neste momento tanto no nosso plantel actual como emprestados pelo mundo fora.
Porém temos também um conjunto de jogadores que no meu entender já deram (ou não) tudo o que tinham (ou não) a dar.

Guarda-Redes
Temos, em Rui Patrício, o melhor guarda-redes português da actualidade, assim como em Ricardo Baptista um guarda-redes titular de outra equipa da primeira liga e como terceiro poderemos sempre ter o miúdo Vitor Golas (isto porque sinceramente não sei qual o futuro do Tiago, mas a ficar eu mantinha-o até à reforma). Desta forma poderíamos dispensar um suplente milionário e a contratação de um outro suplente milionário.

Defesas
João Pereira é, a par de um Bosingwa ainda em recuperação, o melhor lateral direito português; o Abel apesar da idade e das fragilidades que por vezes apresenta, é ainda um bom lateral para segundo plano; o João Gonçalves admito não seguir, mas preferia recuperar um Pereirinha que pode fazer a ala toda e ainda é, a meu ver, um jogador muito sub-aproveitado no Sporting (aqui começa a entrar o grande treinador, o manager, de que precisamos).
Evaldo já esteve melhor esta época mas é um bom lateral esquerdo, rápido e forte mas a precisar de trabalhar (e muito) os cruzamentos; Grimi é dispensável, tenho pena de perder o seu pé esquerdo, mas é impressionante a quantidade de vermelhos a que este rapaz se escapa e as constantes falhas defensivas não perdoam; equacionaria recuperar o André Marques, mas creio que este sector poderia ser o primeiro a receber um reforço.
No centro temos um Daniel Carriço, forte esperança, capitão com muita garra, alguma técnica, mas muito, demasiado fraco no jogo aéreo... definitivamente mantinha, mas teria de trabalhar muito; Polga a meu ver é à partida dispensável, principalmente pela influência negativa que continua a ter na construção (ou não) de jogo do Sporting, mas até poderia ficar se baixasse o ordenado; o Torsiglieri tem, a meu ver, crescido bastante com os minutos de jogo e pode ser uma importante presença na grande área para o jogo aéreo, nao tendo um pé esquerdo mau; o NAC, por fim, acredito que pode dar opções a um treinador, mas iria rodar na recuperada equipa B. Eu compraria um central alto e forte que conseguisse coexistir com o Carriço.

Médios
Creio que o Pedro Mendes dura mais uma época em papel menos dependente; o André Santos foi para mim uma grande revelação que (com o tal grande treinador) poderá ser, a médio/longo prazo, o Pilro de que precisamos; o Maniche para mim era dispensável antes de ter vindo para o plantel; recuperando o Adrien e o Renato Neto creio que podemos ter opções nesta área, mantendo sempre a possibilidade de os menos utilizados rodarem na equipa B.

Médios Ofensivos
Creio que temos em Jaime Valdés uma grande contratação, em Matias Fernandez um grande jogador que apenas precisa de confiança (finalmente descobriram o que meio mundo já sabia, ele marca e muito bem as bolas paradas! Youtube!) e em Vukcevic... bom, este moço tem velocidade, tem técnica, tem remate, mas não tem cabeça. Um grande treinador poderia transformar este jogador num Hulk? Sem dúvida. As semelhanças são impressionantes. Por fim Salomão foi talvez uma esperança defraudada, mas talvez seja só uma questão de demorar a pegar, como Di Maria. O Izmailov acho que merece a oportunidade de voltar a jogar pelo clube que o tratou mal como nunca vi em mais lado nenhum e o Djaló por mim poderia ser vendido para Inglaterra, para correr em prados mais verdejantes e talvez ainda nos garantir uns 5 milhões.

Avançados
Devo desde já dizer que o Helder Postiga é um jogador acima da média(sim, sou um fã!) e que só se formos muito burros ou não tivermos suporte financeiro é que o deixamos sair. Segura a bola como poucos, passa, remata e... acerta muito no ferro e perde-se muitas vezes no fora-de-jogo, mas aí entraria o grande treinador! O Saleiro continuo sem ver porque tantos falavam dele como uma esperança, mas é possível que consigamos outro negócio "a la Veloso", suscitando então a necessidade de contratar pelo menos dois avançados e de características diferentes. Quanto ao Wilson Eduardo não conheço o futebol dele nem as suas prestações, mas parece-me que mesmo voltando seriam necessárias estas duas contratações.

Aos jogadores que não referi aplicaria uma simples regra: ou descem consideravelmente o salário e ficam a rodar na equipa B ou são dispensáveis e produzem retorno ao clube.

Acima de tudo deveremos ser pragmáticos, pelo que juntando a isto a definição sine qua non de um tecto salarial, parece-me que deveríamos dedicar os grandes fundos que se adivinham (ou não) para um treinador, um senhor do futebol (não um Domingos por favor!), a respectiva equipa técnica que traria e para a recuperação da tal Equipa B.

Peço desculpa pelo primeiro post ser tão longo, mas era algo que há muito queria dizer sobre o meu plantel.
Um abraço a todos os Sportinguistas!

10 comentários:

JG disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JG disse...

Sê bem vindo e, mesmo longo, este post é muito interessante.

Concordando com muito do que foi escrito, acho que para além das lacunas apontadas no plantel, necessitaríamos de 2 bons centrais que coexistissem com Carriço e não apenas 1. Necessitaríamos também de mais um médio centro para coexistir com Pedro Mendes e Andre Santos e de um medio ala/extremo rápido.

Esta questão deve ser contudo ponderada com as nossas possibilidades financeiras, devendo coexistir três ideias: realismo nos valores a dispender, a noção de que não vale a pena comprar por comprar e a possibilidade de futuros encaixes na venda dos jogaddores a comprar (aqui o factor idade é preponderante)!

Relva disse...

Concordo com quase tudo, apenas naõ com a questão do trinador, o benfica tentou quique, e foi o que se viu, os treinadoros estrangeiros, como se vai ver, porque todos tem essa ideia, não conheçe o nosso futebol, e só tem sucesso quando têm muito dinheiro para gastar, vê-e o city, por isso o domingos era a minha opção, assim como era no ano passado o vilas boas, no porto não é preciso nenhum estrangeiro, só nós temos essa ideia, depois vão ver.

jvl disse...

Sejas bem-vindo Manuel a um dos espaços que costumo seguir fielmente, apesar de nem sempre comentar.

Quanto ao post, bom início!, concordando com alguns dos pontos mencionados, discordo de alguns. Um deles o Abel.

Penso que o Abel já deu tudo o que tinha a dar. Tendo João Pereira, João Gonçalves - que está a fazer uma bela época no Olhanense, Cédric e ainda Pereirinha, manter o Abel é cortar as pernas a um destes.
Se fosse possível, traria o João Gonçalves para a próxima época e emprestaria o Cédric para ganhar rodagem.

A questão do central para mim, passa antes de mais por um factor: qualidade. E bons que aliem a isso, estampa física, há vários. É preciso é trabalhar nesse sentido e não nos deixarmos adormecer.

Quanto ao Vuk já perdi a esperança. São demasiados conflitos, seja com que treinador for. E não justifica de maneira nenhuma, como aliás qualquer outro jogador, um tratamento de primadonna, em que poderá escolher o lugar onde mais gostaria de jogar.

Quanto ao Tilt, vulgo Djaló, era vendê-lo por 1 sumo e 1 sandes mista.

Necessitamos urgentemente de soluções atacantes de qualidade. Vamos jogar com o Rio Ave com apenas um PDL...

Mais havia para dizer mas tenho que finalizar este comentário.

Boa estreia e que seja o 1º de muitos!

SL

Manuel disse...

Antes de mais, obrigado pelas boas vindas! :)

E realmente escaparam-me algumas coisas:
- o Cedric é um jovem com potencial que a meu ver preferia ter como backup na equipa B, mas podendo controlar o seu treino, do que emprestá-lo a um clube qualquer;
- estando então o João Gonçalves a fazer uma boa época equacionaria recuperá-lo e vender o Abel, tendo o Cedric como terceira opção a par do Pereirinha;
- precisamos sim de um extremo rápido e com técnica à boa moda do Sporting, jovem preferencialmente (não sei se o Esgaio não será muito novo, mas tem potencial), mas mais importante, alguém que desequilibre quando o jogo começa a estagnar.

A título de resposta aos restantes comentários: por grande treinador não me refiro necessariamente a um estrangeiro, só acho que o Sporting tem necessidades diferentes do Braga e do FCP que apenas queriam um treinador. O Sporting precisa de alguém com um perfil mais abrangente, que saiba integrar jogadores da formação, potencializá-los, valorizá-los, assim como ser um bom treinador de equipa principal obviamente, por isso acho que o Domingos ou mesmo o Villas Boas não fossem boas opções.

Leão de Alvalade disse...

Manuel,

Sem tempo para comentar, vou deixar para o fim-de-semana.

Aproveito a visita a este espaço da minha predilecção para te dar as boas-vindas.

Tens grande responsabilidade entre mãos, o JG e MRL são uma dupla de respeito.

Abraço e bons posts.

José disse...

Bom post. É um bom começo. Estas eleições estão a despertar os sportinguistas, temos de aproveitar a onda.

Acabei de ler também um post excelente, recomendo muito, pois diz aquilo que eu também sinto.

http://ocantinhodeantuerpia.blogspot.com/

Frederico disse...

Um conjunto de boas ideias mas baseadas numa coisa que não existe:
Uma equipa B!

Até que seja possível reabrir uma equipa B (por muito que se queira não há-de ser já na próxima época), o que se faria a esses jogadores todos apontados à equipa B?

Virgílio disse...

Parabéns pela estreia, Manuel. No Rugido estás em companhia mt respeitável.

Já tinha começado a ler o seu primeiro post mas tive que interromper. Não pelo post ser longo, mas por falta de tempo. Por isso, resolvi ler até ao fim, com mais calma, para depois comentar.

Não concordo com Abel (partilho a opinião do JVL), nem com Evaldo. É muito fraco tecnicamente. Comete erros posicionais em tarefas defensivas o que para um jogador de 28 anos não é lá mt abonatório. Por fim, a atacar é pouco mais que zero... Uma das contratações para o novo plantel, será exactamente nesta posição (lateral esquero): a mais carenciada de todas.

Via tb com bons olhos o regresso de Pereirinha e Adrien. E a dispensa de gente cuja idade e custos salariais não trás nada de relevante ao SCP. O seu contributo ao SCP está esgotado.

Tb concordo com a apreciação de Vuk, uma vez que se já passou pelas mãos de vários treinadores, não deixa de ser verdade que nenhum deles se revelou gde espingarda, nem enquanto técnico e forma a poenciar as suas qualidades, nem enquanto líder, no sentido de saber conduzir / lidar gajos com feitios mais 'especiais'. Os bons rapazes tds conseguem 'amestrar', já os mais rebeldes... A estrutura (ou falta dela) do futebol do SCP aliada à contínua instabilidade não ajudam aqueles jogadores mais emocionais.

Animo para os futuros post's. Tds estamos a precisar e mais ainda quem se inicia logo numa altura tão conturbada.

SL

kevs disse...

Amigo Manel,

post interessante.

Quanto à questão da equipa B, sou da opinião que, para um clube de cariz formador como o nosso, se bem explorada, poderia ser bastante proveitoso.

Contudo, estou um pouco pessimista quanto à viabilidade da construção da mesma.

Em primeiro lugar, pela própria regulamentação existente: a divisão mais alta que poderia atingir seria a 2ªB, que a nível competitivo fica aquém do objectivo pretendido. Por outro lado, temos jogadores que, para o seu desenvolvimento, será preferível colocar a rodar num patamar superior, nomeadamente em clubes da I Liga (vejamos os casos de Wilson Eduardo, Ricardo Batista, Adrien, Pereirinha, por exemplo) do que na 2ªB (ou mesmo II Liga). Logo aí, o nível competitivo desta equipa não será tão elevado.

Em segundo lugar: qual o objectivo que queremos para esta equipa? É i) o desenvolvimento de jovens promessas, uma rampa entre a equipa de juniores e a equipa principal? Ou ii) fazer rodar jogadores encostados da equipa principal (a título de exemplo, como referes no teu post, Nuno André Coelho, que já tem 25 anos)? A meu ver, deverá ser, por regra, a primeira solução, e assim sendo devia haver como limite a utilização de jogadores até aos 21 anos. Deverá ser a equipa B a servir a equipa A, e não o contrário.

Por fim, há que não esquecer a vertente financeira da constituição da equipa B: para além da equipa principal, será necessário sustentar uma segunda equipa profissional com pelo menos 20 jogadores (salário médio de 2m€/mês?) e uma equipa técnica, o custo de inscrição na prova, e custos com deslocações (as equipas na 2ªB estão sujeitas a várias deslocações às ilhas). Mas isto é tudo uma questão de análise custo/benefício.

Um abraço.